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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Maus e bons jornalistas





Escrito por Marx Dantas   
24-Ago-2011





Quando comecei a escrever em meados dos anos 90 pelo jornal Página 20, pensava que sabia tudo sobre como ser um bom jornalista. 
Talvez pelo fato de ter “crescido” em uma redação de jornal, eu inconscientemente raciocinava que havia pouca coisa para aprender no duro ofício de levar a notícia ao máximo de leitores possíveis. Ledo engano!
Após publicar uma “gigantesca” central com o tema: “medo” - no qual eu abordara o assunto com suas diferentes formas e consequências -, ouvi a dura verdade vinda justamente de um jornalista que tinha “anos de praia” à minha frente e que, com uma cópia do Página 20 em mãos, gentilmente disse: “Marx, você não sabe escrever!”. Era meu pai.
Confesso, não foi fácil ouvir tais palavras, como também difícil foi não retrucá-lo e ficar calado. Afinal, “até o tolo, estando calado, é tido por sábio”. Mais difícil ainda foi ter de engolir o orgulho e pedir que ele me ensinasse não apenas como escrever, mas como ser um bom jornalista.
Após todo o beabá, que ia de “lead”, triângulo invertido e até as cinco perguntas básicas que um jornalista deve ter em mente (o quê, quem, quando, como, onde e por quê), percebi que meu pai - mesmo com seus defeitos - trazia a preocupação de ensinar-me a saber que eu não sabia de nada. De fato, até hoje “o que sei é que nada sei”.
Entretanto, aprendi algumas coisas durante essas quase duas décadas que se passaram. Uma delas é a diferença entre o bom e o mau jornalista.
Aprendi que, diferentemente do mau jornalista, que acha que sabe tudo, o bom jornalista sabe que, enquanto fôlego ele tiver, haverá aprendizado, se ele quiser. O mau jornalista usa sua profissão como medida de barganhas com políticos e empresários. Dependendo de quem ele faça assessoria, até o espirro de seu patrão vira manchete no dia seguinte. O mau jornalista só sabe escrever sobre assuntos que lhe tragam algum benefício - de imediato ou futuro, não importa! O que importa é ganhar sempre! Esse é o seu lema e estilo de vida. Enquanto o bom jornalista está mais preocupado em levar a notícia e como o seu trabalho possa ajudar seu semelhante, o mau jornalista está focado em ganhar prêmios (geralmente com temas que beneficiam ou louvam seu patrão), reconhecimento e cargos com salários estratosféricos. Aliás, o bom jornalista sabe que nem tudo é digno de nota. Sabe que, se algo não é fato, não é notícia. Ele sabe e reconhece a relevância e as consequências do seu trabalho.
O pior é que existem mais maus jornalistas do que bons jornalistas, e aqueles, por vezes, influenciam estes. Talvez por isso os erros sejam tão comuns e que acabem, por assim fazer, desencadeando uma inversão de princípios entre o certo e o errado até na hora de escrever.
Por exemplo: é errado escrever Prefeitura Municipal. Tautologicamente, toda prefeitura é do município, portanto, os “releases” da assessoria não precisam especificar que são municipais, tipo: “Os servidores da Prefeitura Municipal de Rio Branco trabalharão neste feriado”, basta escrever “Os servidores da prefeitura de Rio Branco trabalharão neste feriado”. Outro erro comum é escrever “Lar dos Vicentinos”, tão incrustado em nosso meio que nem a população sabe que seu verdadeiro nome é Lar Vicentino (a placa na frente do prédio é a prova maior). Eu mesmo quase caí duro ao ouvir essa afirmação de meu baluarte, amigo e colega de trabalho, o revisor Beneilton Damasceno. 
Outro erro que já se tornou absoluto é escrever “penta campeão”, quando o correto seria escrever que o Brasil é “pentakis” campeão de futebol, já que a contagem é feita em grego, não em português. E para finalizar, o erro que me corrói o fígado: “Temperatura na capital cai para 16 graus com sensação térmica de 13”. Em primeiro lugar, é bom frisar que sensações não se medem, tampouco podem virar notícia. A sensação é relativa - se é relativa não é fato, se não é fato não é manchete. A manchete aqui é de que a temperatura caiu para 16 graus. Ponto final!
Parece bobagem, mas é graças a pequenos erros assim, que, mesmo sutis, geram profissionais amadores que acham que tudo sabem, quando nada sabem. Que de formadores de opiniões, virem “re-portadores” de opiniões. Que não sabem discernir entre certo e errado. Pois o certo é estar errado. E, assim como eu em meu início de carreira, julguem a si mesmos como sábios, uma vez que os sábios, por sua própria experiência, cerrem seus lábios, sabendo que sua sabedoria será mais bem usufruída no espaço de seu silêncio do que jogada no colo dos insensatos.

Escritor
http://pagina20.uol.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=24058&Itemid=35

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